12/06/2017
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Conheça os principais indicadores de inovação

Muitas empresas começam a inovar com base nos desafios diários relacionados a competitividade no mercado em que atuam. Começam com pequenas ações, como por exemplo, sessões de brainstorming orientadas pelas temáticas de interessante da empresa, que vão desde redução de custos no processo, até criação de novos produtos. Muitas ideias são geradas, poucas são aproveitadas. Um ou dois projetos começam a ser executados e nenhum gera efetivo resultado positivo se transformando em uma inovação. Essa é a realidade de empresas dos mais variados portes e segmentos.

As primeiras iniciativas são um grande aprendizado e, quanto mais ideias e projetos de inovação aderentes com a estratégia do negócio, maiores são as chances de sucesso, não é mesmo? Contudo, muitas empresas estruturam um programa de inovação, mas continuam com dificuldade em medir os resultados de inovação. Para criar um programa de inovação que dá certo, a empresa também deve estabelecer diretrizes relacionadas a como vai medir seus resultados. Mas, como fazer isso?

A resposta é simples, mas a prática nem tanto. Desde a explosão da gestão da qualidade, as organizações estão acostumadas a medir seu desempenho e a ferramenta aplicada as iniciativas de inovação não é diferente. Criar indicadores relacionados ao modelo de gestão da inovação é a melhor alternativa!  Os indicadores de inovação envolvem um conjunto de ferramentas e um sistema para medir a capacidade de inovação de uma empresa. Os indicadores de inovação são divididos em 4 categorias: econômica, intensidade, eficácia e cultura. A seguir, vou compartilhar os principais indicadores de cada categoria usados para mensurar a inovação:

Indicadores Econômicos - medem os resultados positivos ou negativos da inovação, usando variáveis das demonstrações econômico-financeiras da empresa.

1 Vendas da empresa a partir dos lançamentos de novos produtos: é medido em porcentagem e, em geral, calculado para 2 períodos de tempo, em relação ao ano interior e como média relativa a alguns anos, normalmente de 3 a 5.

2 Lucros a partir do lançamento de novos produtos: nesse caso, em vez de vendas, medimos os lucros. Em geral, esse indicador é calculado com base nas vendas acumuladas ao longo de 1 a 5 anos, dependendo do lançamento. Contudo, alguns lançamentos demoram para começar a gerar lucros.

3 Vendas da empresa a partir de inovações que não envolvem novos produtos: esse indicador difere do anterior, pois, nesse caso, consideramos as inovações que não envolvem um lançamento, mas inovações em processos, nas relações com os clientes, na experiência do usuário, no desenvolvimento de novos canais etc.

4 Lucros da empresa a partir de inovações que não envolvem novos produtos: como foi descrito anteriormente, mas medindo os lucros finais ou a margem de contribuição das inovações implementadas.

5 Redução de custos a partir da inovação: como é difícil calcular os lucros exatos resultantes de uma inovação, a redução de custos é uma alternativa muito utilizada em inovações de processo.

6 Retorno do investimento total na inovação: calcula o retorno de todos os investimentos em inovação ao longo dos anos, como os lucros resultantes da inovação.

Indicadores de intensidade - A intensidade refere-se à quantidade de inovação, sem levar em consideração os resultados derivados disso.

7 Quantidade de patentes: é um indicador típico na indústria farmacêutica e nos setores intensivos em tecnologia e P&D, que precisam de muitas invenções antes delas se converterem em valor.

8 Quantidade de inovações em produtos, serviços, processos, mercados ou modelos de negócios: nesse caso, se mede a quantidade de inovações que uma empresa é capaz de implementar. Por exemplo, uma organização pode considerar que 12 inovações foram implementadas na fábrica durante 1 ano e que outras 15 devem ser implementadas nos próximo ano.

9 Quantidade de marcas: essa é a versão para o marketing da quantidade de patentes. Faz sentidos nos setores em que as marcas são efêmeras, tais como produtos infantis ou distribuidores de produtos cujas marcas se baseiam em licenças.

10 Quantidade de ideias geradas por ano: esse indicador não leva em conta a quantidade de ideias que acabam virando projetos. Concentra-se em ideias, mesmo que muitas delas sejam descartadas, mas, mesmo assim é uma medida indireta do número de projetos.

11 Quantidade de projetos de inovação no fluxo: esse indicador é utilizado para monitorar o fluxo de projeto da empresa. Uma quantidade declinante de projetos no fluxo pode sinalizar uma redução do número de inovações nos próximos anos. Essa variável é usada para gerenciar a inovação em médio prazo.

12 Quantidade de projetos de inovação em andamento: esse indicador é utilizado para prever a intensidade da inovação no curto prazo e, também, a capacidade de projetos que uma empresa é capaz de executar simultaneamente.

13 Investimento em P&D: embora este seja um indicador financeiro, está mais relacionado com a intensidade. Em geral, o investimento em P&D é medido em unidades monetárias ou como porcentagem do faturamento anual da empresa.

Indicadores de eficácia - os indicadores de eficácia procuram medir os lucros em relação ao uso de recursos, com o objetivo de maximizar os resultados da inovação e, ao mesmo tempo, minimizar os insumos.

14 Taxa de sucesso de novos produtos: esse indicador é muito usado para medir os resultados da inovação, especialmente em produtos de consumo. Considera a porcentagem de todos os lançamentos de novos produtos que resultaram em sucesso.

15 Tempo para comercializar: esse indicador é mais predominante em setores e indústrias nos quais a mudança tecnológica é rápida e a competitividade está intimamente relacionada à introdução de inovações no mercado.

16 Investimento médio por projeto: este indicador é muito útil para a realização de comparações ao longo do tempo dentro da empresa. Nesse caso, dividimos o investimento em P&D pela quantidade de inovações implementadas.

17 Despesas médias de ideias e projetos rejeitados: esse indicador calcula o custo médio de rejeição de uma ideia ao somar os custos das ideias e propostas que foram descartadas e dividir o resultado pela quantidade de ideias e projetos descartados.

Indicadores de cultura - nesse caso, os indicadores referem-se aos aspectos relacionados à cultura de inovação da empresa. Não estamos interessados em eficácia, quantidade de inovação ou eficiência, mas na mensuração de quão disseminadas a inovação e a criatividade estão na empresa como um todo.

18 Porcentagem de colaboradores que produzem ideias: isso só é possível quando o sistema de geração de ideias revela a identidade do proponente ou, no caso de um sistema de anonimato, pode-se computar a quantidade de contribuintes individuais por meio de algum tipo de identificação. A proporção de colaboradores que propõem ideias em relação à quantidade total de colaboradores indica quão disseminada está a cultura de inovação.

19 Taxa anual de ideias por colaborador: nesse caso, queremos medir a intensidade da cultura de inovação, incluindo não só aqueles que propõem ideias e aqueles que não o fazem, mas também a quantidade de ideias propostas e chegar a um número, como por exemplo: nossa empresa obtém 1,3 ideia por colaborador.

20 Porcentagem de tempo despendido na inovação: nesse caso, queremos medir a intensidade da cultura de inovação, incluindo não só aqueles que propõem ideias e aqueles que não o fazem, mas também a quantidade de ideias propostas e chegar a um número, como por exemplo: nossa empresa obtém 1,3 ideia por colaborador.

As empresas tendem a não utilizar apenas 1 indicador, mas vários! A questão é quantos indicadores devem ser utilizados para monitorar a inovação? Dois ou três indicadores não dão visibilidade para se chegar às causas básicas. O ponto ideal é algo entre 8 e 12 indicadores, pelo menos é o que afirma Jim Andrew, da Boston Consulting Group. Essa também é a quantidade aproximada que a Samsung utiliza para acompanhar suas iniciativas de inovação!

Na hora de selecionar os indicadores, tenha em mente que as empresas com melhores desempenhos em inovação escolhem seus indicadores com base em cada uma das fases do processo de inovação utilizado. Não se esqueça: inovação depende de pessoas, processo e ação.

Até a próxima reflexão inovadora!

Sérgio Gualdi Ferreira da Silva Filho é fundador da Innomotion Design & Inovação. Administrador de empresas, mestrando em design estratégico e especialista em marketing e inovação. Também é professor e autor da Metodologia para Implementação de Inovações no Ambiente das Micro e Pequenas Empresas.

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